domingo, 3 de julho de 2016

“Curuguaty, carnificina para um golpe” é lançado em Assunção e Foz do Iguaçu

Debate na Unila: solidariedade latino-americana à flor da pele
O livro Curuguaty, carnificina para um golpe, de Leonardo Severo, redator-especial da Hora do Povo, assessor da CUT e observador internacional no Tribunal de Sentenças de Assunção, foi lançado na capital paraguaia, na última terça e quarta-feiras, na Central Unitária dos Trabalhadores Autêntica (CUT-A) do Paraguai e na Universidade Nacional (UNA). Dezenas de lideranças religiosas, sindicais, estudantis, do movimento feminino, indígena e de solidariedade aos presos políticos paraguaios somaram suas vozes, fortalecendo o movimento pela Absolvição, já. Na quinta-feira o debate sobre a obra aconteceu na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), com a participação do professor argentino Pablo Friggieri, diretor do Instituto Latino-americano de Economia, Sociedade e Política (Ilaesp).

Guillermina, Pai Oliva, Leonardo Severo e Bernardo Rojas
Na avaliação de Pablo, “este livro-reportagem sobre Curuguaty é esclarecedor de como agem os grandes meios de comunicação, setores do judiciário e do parlamento contra as democracias da região”. “Considero esta obra, assim como o debate com o autor, um importante aporte à compreensão da injustiça que está sendo cometida contra camponeses inocentes e à luta pela democracia”, enfatizou.
“O lançamento ganha um significado ainda maior neste momento em que um julgamento completamente parcial está chegando à sua etapa final e ameaça colocar inocentes atrás das grades por até 40 anos”, declarou Guillermina Kanonnikoff, representante do Movimento pela Absolvição. Presa política da ditadura de Stroessner, Guillermina teve seu marido “desaparecido”, sendo uma destacada referência na luta pelos direitos humanos.
“Nos orgulhamos de sediar este evento, pois mais do que um registro da mobilização pela reforma agrária, o livro do companheiro Leonardo Severo faz uma conclamação à luta pela justiça no Paraguai”, afirmou Bernardo Rojas, presidente da CUT-A.
Juventude tem papel chave nas mobilizações de solidariedade
Principal dirigente religioso em apoio aos camponeses de Curuguaty, Pai Oliva lembrou que 11 companheiros estão sendo vítimas de uma armação que resultou em 17 mortos no dia 15 de junho de 2012 e que resultou na deposição do presidente Fernando Lugo apenas uma semana depois. Frente ao silêncio e à manipulação da mídia, Padre Oliva reiterou a relevância decisiva do movimento de solidariedade, “que se vê reforçada internacionalmente com esta significativa contribuição”.
Dirigente da Coordenação Nacional das Mulheres Indígenas e Rurais (Conamuri), Cony Oviedo sublinhou o papel das “palavras militantes de um livro que supera todo e qualquer obstáculo para se alinhar à defesa da verdade e da justiça dos que mais precisam”.
Professores e estudantes da Universidade Nacional de Assunção
Para o secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas do Paraguai, Santiago Ortiz, “esta é uma leitura fundamental para compreender o papel dos grandes monopólios privados de comunicação em favor dos interesses do agronegócio e das transnacionais, uma obra que traduz nossa resistência e estimula o combate”.

Entre outros dirigentes e referências da luta democrática estiveram presentes na CUT-A o intelectual Guido Rodriguez Alcalá, renomado historiador e ensaísta; Esther Leiva, dirigente camponesa; o veterano militante advogado Gustavo Benitez Manchini, e dirigentes da Federação Nacional dos Estudantes (Fenaes). As professoras Maider Mendez e Maria Victória tiveram destacada participação na atividade realizada na Universidade Nacional de Assunção.