segunda-feira, 27 de outubro de 2014

#PátriaGrande: Líderes do continente celebram vitória de Dilma Rousseff

Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula

Por Felipe Bianchi

Após a confirmação oficial da reeleição de Dilma Rousseff (PT) no Brasil (51,63% contra 48,36% do tucano Aécio Neves) neste domingo (26), diversos presidentes e líderes latino-americanos saudaram a vitória da atual presidente no país mais estratégico do projeto progressista em curso na região.

Além de garantir as boas relações com os países vizinhos e reforçar a tendência de integração e cooperação, a vitória de Dilma Rousseff representa a continuidade de um processo de transformações na América Latina, garantindo a manutenção de um mundo multipolar.

Dentre os líderes que se manifestaram estão o presidente venezuelano Nicolás Maduro, a presidente argentina Cristina Kirchner e o presidente equatoriano Rafael Correa. Salvador Sánchez Céren, presidente de El Salvador, também comemorou a decisão do povo brasileiro em "seguir construindo bem-estar e felicidade". Já Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia, congratulou Dilma Rousseff e afirmou o desejo de fortalecer as relações com o Brasil e o continente.

A Frente Ampla do Uruguai, da qual faz parte o atual presidente José Mujica e o vencedor do primeiro turno das eleições que ocorreram também no domingo, Tabaré Vasquez, manifestou apoio à reeleição de Dilma. A segunda volta, que opõe Tabaré Vasquez ao representante da direita Lacalle Pou, está marcada para o dia 30 de novembro.










Aécio e a ameaça do retrocesso no continente

Vale registrar que o candidato tucano, derrotado no pleito mais acirrado desde a redemocratização do país, declarou reiteradas vezes ao longo de sua campanha que pretendia implementar uma verdadeira "guerra" contra "governos vizinhos que fazem vista grossa à produção de drogas". O recado mais direto foi para a Bolívia, acusada por Aécio de ser conivente e complacente com a produção de cocaína. O tucano não se posicionou, porém, sobre países da Europa e estados norte-americanos nos quais o cultivo de maconha é legalizado.

A folha de coca, elemento tradicional dos povos originários que compõem a Bolívia, passou a ser valorizada pelo governo de Evo Morales por seu uso medicinal e cultural. Além disso, o governo defende que, enquanto sob a gestão neoliberal de Jorge Quiroga a produção de cocaína representava mais de 10% do PIB boliviano, tal índice caiu para 1,5% nos últimos oito anos, desconstruindo as acusações do tucano e sobrepondo os interesses culturais e históricos dos indígenas sobre a cartilha de Washington.

Também havia o temor, entre os governos progressistas e movimentos sociais do continente, de Aécio retomar uma relação submissa em relação aos interesses dos Estados Unidos, permitindo a presença militar norte-americana em território brasileiro e ameaçando a soberania da região.