domingo, 14 de abril de 2013

Movimentada e sob grandes expectativas, começa eleição na Venezuela


Filas quilométricas já se formam nos centros de votação. Há grandes expectativas sobre como transcorrerá o dia, seja pela preocupação com tentativas de desestabilização, seja por qual será o nível de participação dos venezuelanos.

Jonatas Campos e Vinicius Mansur, de Caracas, Venezuela.

Na Escola Estadual MIrandina, no bairro de Petare, a fila era quilométrica.
Foto: Jonatas Campos 
 


A reportagem saiu às 5 horas da manhã junto com os Patrulheiros Comunitários do Comando de Campanha Popular Hugo Chávez para percorrer o centro do município de Chacao e a comunidade Petare, no estado Miranda, ambas dentro da região metropolitana de Caracas. Na escola Andréz Bello, em Chacao, até às 6:10 da manhã as urnas ainda não estavam abertas, mas já haviam filas. Às 6:50, já na escola estadual Mirandina, em Petare, havia uma fila quilométrica e as pessoas já estavam votando.

Às 5 da manhã, desde o Parque Central, edifício mais alto da Venezuela, localizado no centro de Caracas, partiram fogos de artifício que ressoaram pela cidade durante 20 minutos. A partir de então não para de soar, por todos os lados, o toque de Diana, tocado apenas por corneta, chamando os eleitores a votar.
 
Na escola Andres Bello, município de Chacao,
eleitores esperam início da votação. Foto: Jonatas Campos

A eleição presidencial da Venezuela já havia começado no exterior ainda no sábado (13). Os primeiros a ter direito a registrar seu voto foram os 992 venezuelanos residentes e legalmente habilitados na Austrália.

De acordo com os dados do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela, há 18.903 milhões de eleitores devidamente habilitados para o pleito deste domingo (14), sendo 100.495 no exterior. A votação ocorrerá em 13.683 mil centros de votação, dos quais 127 estão em embaixadas no estrangeiro.

Expectativas

Sendo esta eleição extraordinária, provocada pelo falecimento de Hugo Chávez, reeleito em 7 de outubro do ano passado, há grandes expectativas sobre como transcorrerá o dia, seja pela preocupação com tentativas de desestabilização, seja por qual será o nível de participação dos venezuelanos.

Durante toda a campanha, a oposição representada pelo candidato Henrique Capriles lançou suspeitas sobre a isenção do CNE. A vice presidenta do órgão, Sandra Oblitas, em um pronunciamento na tarde deste sábado (13), pediu aos comandos de campanha que façam um chamado ao voto calmo, sereno e tranquilo, ressaltou que ataques ao Poder Eleitoral, a poucas horas da eleição, não favoreceriam o país e convocou os venezuelanos a participar. “Estamos seguros que o povo venezuelano mostrará uma vez mais o seu vigor democrático, sua profunda convicção de paz”, disse.

A noite, porém, Capriles, em coletiva de imprensa, voltou a disparar. “Esperamos que o que diga o CNE seja uma cópia fiel do que o povo disser. Isso é fundamental! Que amanhã o árbitro diga o que o povo disse. O CNE não pode ser um partido político”, provocou.

O chefe da campanha do chavista Nicolás Maduro, Jorge Rodriguez, também em coletiva, acusou a oposição de preparar terreno para não reconhecer o resultado em caso de derrota e ressaltou que durante os 14 anos de governo de Hugo Chávez foram realizados 17 eleições e referendos, incluindo o pleito de 16 de dezembro de 2012, quando, utilizando o mesmo sistema eleitoral, as mesmas máquinas de votação e a mesma direção do CNE, Capriles foi reeleito governador de Miranda.

O histórico de ações violentas da oposição para derrubar o chavismo, as sabotagens recentes ao sistema elétrico e a prisão nesta semana deparamilitares colombianos e salvadorenhos em território venezuelano  contribuem para elevar a tensão no país.

Há também a expectativa, essa muito mais saudável, sobre qual será o nível de participação dos venezuelanos. Em 15 anos, este será o primeiro pleito sem a presença física de Chávez, figura central na intensificação da vida política do país, tanto nas ruas, como nas urnas. Na última eleição em que foi candidato, registrou-se a participação de 81% dos eleitores, dos quais Chávez obteve 55,07% e seu principal opositor, Henrique Capriles, 44,31%. Por ordem constitucional, o voto não é obrigatório.

Fiscalização

A vice-presidenta do CNE também informou neste sábado que a eleição está sendo acompanhada presencialmente por 3.435 mil observadores nacionais e 240 internacionais. 

Destes últimos, 40 são da Missão de Acompanhamento Eleitoral da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), 30 da Uniore (União Interamericana de Organismos Eleitorais), além de uma comitiva do Mercosul.

Oblitas destacou que o processo também conta com a presença de 40 convidados políticos internacionais, escolhidos, meio a meio, por cada uma das duas principais candidaturas.

Resultado

Os centros de votação funcionam entre até às 18 horas (19:30 em Brasília), mas devem ficar abertos enquanto haja pessoas na fila. De acordo com o CNE, o resultado deve ser divulgado em até três horas após o fechamento das urnas.