terça-feira, 16 de abril de 2013

Direita venezuelana promove ataques violentos na noite desta segunda-feira.

por Renata Mielli, de Caracas,
Com agências

Foto: Agencia Venezuelana
Muitas manifestações marcaram esta segunda-feira em toda a Venezuela. Convocados à rua pelo candidato derrotado Henrique Capriles, seus partidários fizeram atos, passeatas e também agiram com violência, principalmente nos estados do interior do país. Em Caracas, às 20:00hs, ouviu-se um panelaço em toda a cidade.

Durante a noite, sedes do PSUV no interior foram incendiadas, chegam notícias de ataques contra Centros de Diagnósticos Integrados que fazem parte da Missão Bairro Adentro (Saúde), escritórios do Conselho Nacional Eleitoral, prédios de emissoras de comunicação públicas e agressões contra jornalistas. Há notícias de feridos e mortos.

Durante o dia, o principal canal de televisão do país convocava aos venezuelanos a não reconhecerem as eleições e o “presidente ilegítimo”.

Os chavistas também ocuparam as ruas para comemorar a vitória de Nicolás Maduro, a sua proclamação como presidente eleito constitucionalmente e defender o resultado da eleição.

Maduro em seu discurso de proclamação e na coletiva de imprensa que concedeu à noite denunciou a tentativa da direita em golpear, mais uma vez, a democracia da Venezuela e disse que o governo e o povo estão preparados e sabem como se defender destas tentativas.

Com estas manifestações, a direita quer desestabilizar o governo e gerar fatos para serem trabalhados pela imprensa internacional, visando colocar a opinião pública contra a Venezuela. "As manifestações e atos violentos são uma forma de alimentar os meios de comunicação, porque isso é o que será a primeira página de muitos periódicos em todo o mundo, que querem transmitir a ideia de que a Venezuela vive uma situação de instabilidade”, avaliou Ignácio Ramonet em entrevista à TeleSur.

Discurso da recontagem vai se enfraquecendo

Vicente Diáz, reitor do Conselho Nacional Eleitoral, foi o único dos 5 reitores que não participou da cerimônia de proclamação de Nicolás Maduro. Na noite de ontem, foi entrevistado ao telefone pelo canal de TV Globovisión.

Apesar de ter reconhecido na entrevista a transparência e a segurança do Poder Eleitoral e que “não tem dúvidas sobre o resultado do sistema de votação, porque ele foi auditado, certificado, revisado na presença de testemunhas”, ele defende a revisão de 100% dos comprovantes dos votos depositados na urna. Com essa postura, se contradiz e contribui com o discurso da oposição, de defender um escurtínio manual.

A presidente do CNE alerta que “o que se pretende é regressar ao tão vunerável escrutínio manual, uma prática que lesionou por décadas a vontade das eleitoras e eleitores na Venezuela, afirmou Tibsay Lucena.

Depois disso, Vicente Diáz já admitiu que não seria necessário ampliar a auditoria para além de 54% das urnas “porque isso é uma prova de sangue, você não precisa analisar 100% do sangue, só uma amostra”, comparou.

Na manhã desta terça-feira, algumas manifestações da oposição ainda acontecem em vários estados. No canal de TV da direita, Globovisión, analistas já discutiam alternativas constitucionais para questionar o mandato de Maduro, como o pedido de impugnação à Justiça que deve ser sustentado com provas das irregularidades apontadas que justificariam uma recontagem.

Processo seguiu padrão internacional

O Conselho de Especialistas Eleitorais da América Latina (Ceela) manifestou nesta segunda (15) que a diferença dos resultados de uma eleição não pode ser utilizado como um elemento para deslegitimar o processo, porque “as diferenças fazem parte de uma das variáveis da democracia”.

Os resultados não podem ser tidos como um elemento para deslegitimar o processo eleitoral, a massiva participação cidadã , nem o respeito entre os cidadãos das diferentes campanhas e tendências eleitorais e menos ainda para não reconhecer um trabalho exitoso e brilhante do Conselho Nacional Eleitoral, afirmou Guillermo Reyes, integrante da Ceela.

Reyes, que ex-presidente do Conselho Nacional Eleitoral da Colômbia, ressaltou que “o resultado de 14 de abril é reflexo de um país que tem aprimorado seu sistema eleitoral, de acordo com as diretrizes constitucionais, respeitando as ideias e as posições dos atores políticos. É um sistema digno de ser copiado”.

Ele também reafirmou que o processo eleitoral cumpriu todos os padrões internacionais e a legislação nacional, em especial no que diz respeito à transparência da administração eleitoral.