quinta-feira, 18 de abril de 2013

Capriles aceita auditoria do CNE

As peças estão se encaixando para que Venezuela, ao menos, retome uma agenda cotidiana menos impregnada pelo debate político-eleitoral. Na noite desta quinta-feira (18), o candidato derrotado Henrique Capriles Radonski aceitou o anúncio do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) de fazer auditoria nos 46% restantes das caixas de depósito dos votos. A decisão do CNE foi aguardada pelo candidato da Mesa da Unidade Democrática (MUD) que, logo depois, realizou uma coletiva de imprensa.

Jonatas Campos, Caracas - Venezuela


Com a flexibilização de Capriles e o apoio que o presidente eleito Nicolás Maduro vem recebendo nos últimos dias, a tendência é que o cenário se torne mais estável no país. Na noite dessa quinta-feira houve novamente um “panelaço” da oposição, enquanto chavistas colocavam música alta e soltavam foguetes.

Na coletiva, Capriles deixou claro que acredita em sua vitória e diz que nas 12 mil caixas de depósito do voto que não foram auditadas estão os problemas. “Ai (nas caixas restantes) perfeitamente podemos demonstrar ao país a verdade, portanto, o Comando Simón Bolívar aceita o que o Conselho Nacional Eleitoral anunciou ao país", disse.

A presidente do colegiado, Tibsay Lucena, ao anunciar a decisão em cadeia de rádio e televisão, aclarou que não se trata de uma “recontagem” de votos. De acordo com o CNE,  Maduro teve 50,78% dos votos e Capriles com 48,95%. Há portanto uma diferença de 273.056 votos dentre os mais de 14.8 milhões de eleitores que compareceram às urnas.

Capriles tentou mostrar-se calmo. Estava com uma cópia da Constituição da Venezuela, artifício muito utilizado pelo presidente Chávez em seus pronunciamentos ao vivo. “Eu chamo o povo venezuelano a orar. Amanhã, não quero anarquia”, advertiu o candidato que pediu para as pessoas colocaram salsa ao invés de caçarolas, em proteste à juramentação.

Na segunda-feira (15), um dia depois das eleições, o próprio reitor Vicente Diaz, considerado mais próximo da oposição, não questionou a idoneidade dos resultados ao pedir a recontagem. "Eu não tenho dúvidas sobre o resultado do sistema de votação, porque ele está revisado, certificado, houve as testemunhas, mas eu creio que é importante dar uma tranquilidade aquelas pessoas do lado opositor que têm dúvidas", disse ao programa Alô Cidadão, da Globovisión.