domingo, 14 de abril de 2013

Antes de boletim do CNE, oposição ameaça colocar em dúvida resultado da eleição

Aliados de Capriles alertam para possibilidade de fraude ao mesmo tempo em que elogiam sistema eleitoral venezuelano

Marina Terra | Enviada especial a Caracas pelo Opera Mundi

"Nós não podemos dizer o que aconteceu. Isso corresponde ao CNE [Conselho Nacional Eleitoral]. Nós, no entanto, sabemos o que aconteceu", afirmou na noite deste domingo (14/04) o membro da campanha de Henrique Capriles, candidato à Presidência da Venezuela, Ramon Guillermo Aveledo, sobre os resultados da eleição presidencial venezuelana, que ainda não foram divulgados.


Desde sexta-feira (12/04), vários nomes da campanha da coligação MUD (Mesa da Unidade Democrática) têm colocado em dúvida a idoneidade do CNE. O próprio Capriles afirmou neste domingo, por meio de sua conta no Twitter, que existe uma "intenção de mudar a vontade expressada pelo povo! Espalhem essa mensagem", postou o candidato.
"Exigimos de Tibisay Lucena [presidente do Conselho Nacional Eleitoral] o fechamento total das mesas de votação, estão votando com mesas fechadas", disse em outro post. Os colégios eleitorais fecharam às 18h locais (19h30 no horário de Brasília).

“Todos os meios que temos [de medir a votação] apontam para uma direção. Esperamos que o anúncio do resultado seja muito responsável, pelo momento que estamos vivendo”, disse Aveledo.

Poucas horas antes de a Venezuela saber quem será seu próximo presidente, Aveledo disse que a campanha de Capriles usou medições não oficiais para acompanhar a tendência do voto. “Nós, assim, como eles, temos por distintos meios modos de fazer a contagem rápida. Por meio de instituições privadas e partidos políticos. E também temos acesso às deles, porque há gente com consciência que nos informa do que está acontecendo”, falou, durante coletiva de imprensa em Caracas.

"Que tenham claro: que não apareça um votinho a menos para Capriles", afirmou Aveledo em tom de ameaça. "Estaremos em condições desde já de checar ata por ata, voto por voto".

"Faremos o que seja necessário, no marco da paz e da convivência do povo venezuelano. Não estamos incitando ao ódio, caluniando. Denunciamos falsidades sobre a votação. Somos sérios. Faremos tudo pelo caminho cívico, democrático e pacífico. Mentem quando dizem que somos desestabilizadores", disse Aveledo, acompanhado na mesa por Henrique Capriles.

Aveledo reconheceu que sistema eleitoral venezuelano é "muito moderno e a transmissão de votos é feita de forma rápida", mas prosseguiu colocando em dúvida o resultado que deve sair das urnas.