segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Se eleito, Capriles acabará com caráter internacional da revolução bolivariana


Manifestantes pró Capriles/ Foto: Vanessa Silva
Por Vanessa Silva, de Caracas - Venezuela

Neste domingo (30), o candidato de oposição ao presidente Hugo Chávez, Henrique Capriles, realizou seu último comício, em Caracas, para uma multidão vermelho-azul-amarela que tomou a totalidade da avenida Simón Bolívar, no centro da cidade. Em seu discurso, Capriles deu uma clara sinalização para os demais países latinos: se eleito, vai acabar com a revolução bolivariana, pelo menos em seu aspecto internacionalista.


Sob um calor de mais de 30 graus, milhares de pessoas ouviram os 45 minutos de exposição do candidato, focado em um dos principais gargalos da Venezuela contemporânea: a violência e consequentemente o medo. Apresentando-se como a mudança, Capriles fez promessas genéricas sem focar-se em propostas concretas.

Entre as questões que pontuou estão, além do fim da violência, a criação de empregos para jovens, e mais enfaticamente, a reabertura da RCTV – empresa que esteve envolvida no golpe de Estado de 2002 e teve sua concessão revogada por Chávez em 2007. Seu lugar no espectro eletromagnético foi ocupado pela Teves (Televisora Venezoelana Social), canal de cultura e esportes.

Sem propostas, o discurso do presidenciável da MUD (Mesa da Unidade Democrática) centrou-se na crítica a Chávez.

Fim da revolução bolivariana

Capriles vem sendo acusado por Chávez de esconder seu verdadeiro plano de governo, que seria de direita, se apresentando como a alternativa “à esquerda e ao centro”. Neste domingo (30), no entanto, o candidato deu uma pista do que prepara para um possível governo.

A principal proposta de Chávez é continuar construindo o socialismo do século 21 na Venezuela, lembrou durante o discurso, e, em um sinal do que pretende para o futuro do país, Capriles questiona: “o que o socialismo do século 21 fez por Caracas?” Ele mesmo responde: “a única coisa que o governo fez pela população foi a construção de casas”, e logo rebate argumentando que essas casas entregues não têm título de propriedade, que seriam então dadas por ele.

A questão das moradias é impossível de esconder. Em um rápido passeio por Caracas é possível ver diversas placas indicando que estão sendo construídos novos apartamentos da “Missión Vivienda” em lugares centrais da cidade. E o projeto se espalha por todo o país. O programa tem 3.676.339 de famílias cadastradas e já entregou casas para mais de 217 mil famílias.

De interesse não só para o Brasil, mas toda a América Latina, Capriles criticou ainda o que chamou de “tentativa de exportar a revolução” com “presentes” a outros países. O candidato citou os números da ajuda internacional que o governo bolivariano deu aos países latino-americanos, mas não mencionou em que período. No total, segundo ele, foram 259 bilhões de bolívares fortes. A “ajuda” mencionada foi dada aos países que integram a Alba ou o Mercosul e fazem parte, principalmente, da proposta da Alba, de “estimular o intercâmbio comercial a favor do desenvolvimento” das  nações.

Em um de seus momentos mais aclamados, o candidato enfatizou que “vai investir na Venezuela os recursos que são dos venezuelanos”. Antes dele, um aliado que subiu ao palanque foi mais explícito: “nenhuma gota mais de petróleo para Cuba. Todos os barris que saírem daqui terão que ser pagos em bolívares”.