terça-feira, 2 de outubro de 2012

Movimentos sociais da ALBA anunciam vigília na eleição venezuelana


A articulação dos movimentos sociais da Alternativa Bolivariana das Américas (ALBA) anunciou nesta terça-feira (2) que pretende fazer uma vigília na Venezuela a fim de garantir o processo eleitoral e denunciar tentativas de fraude e desestabilização por parte da oposição a Hugo Chávez. Militantes de diferentes países estão chegando a Caracas para acompanhar a eleição do próximo domingo. Uma rede de meios de comunicação alternativos está sendo montada para difundir informações do ponto de vista dos movimentos sociais.

Uma coletiva de imprensa realizada na Plaza El Venezolano, no centro de Caracas, marcou o lançamento da articulação dos movimentos sociais. "O povo da América Latina estará em vigília para garantir a vitória de Chávez. Aqui, o povo é parte do governo e o governo é parte do povo. Com todos os limites, aqui existe um processo em construção", afirmou Messilene Gorete, do Movimento Sem Terra (MST), do Brasil. "Estaremos em vigília permanente para desencadear uma campanha em caso de desestabilização por parte da burguesia. O povo está em vigília para defender o processo bolivariano", destacou Messilene.

Participaram da atividade militantes dos capítulos locais da articulação dos movimentos sociais da ALBA em diversos países latino-americanos, além de militantes da Espanha, Austrália e outros países. A venezuelana Katherine Castrillo destacou a centralidade do processo venezuelano para os movimentos sociais da América Latina. "É um processo profundamente humanitário, de enfrentamento ao capitalismo e de solidariedade com os países da região. Uma vitória no dia 7 de outubro representará certamente a radicalização e o aprofundamento da revolução bolivariana", disse.
"O povo está em vigília para garantir
o processo", diz Messilene, do MST

Internamente, o capítulo venezuelano da articulação dos movimentos sociais da ALBA está organizando uma rede de meios comunitários e alternativos para a cobertura da eleição. Segundo a porta-voz Heidi Domínguez, são mais de 15 televisões e 80 rádios comunitárias no país, quatro emissoras de TV em Caracas, além de centenas de comunicadores comunitários. "Faremos um esforço para nos articularmos e difundirmos as informações sobre o processo eleitoral e as manifestações dos movimentos sociais", explicou. Uma das páginas que vai concentrar a informação produzida será http://www.albamovimientos.org/

Integrante da ALBA TV, Pablo Kunich lembrou que, apesar da imagem de que na Venezuela se censura a mídia, de 70% a 80% do espectro de radiodifusão está controlado por meios privados, que detêm a maior parte da audiência e, em casos como o da rede Globovisión, fazem campanha aberta contra o atual presidente. "Na Venezuela socialista, a maioria dos meios de comunicação pertencem à direita", afirmou.