domingo, 7 de outubro de 2012

Democracia participativa lota as ruas de Caracas



Caracas amanheceu com ruas lotadas de eleitores ávidos por registrar sua participação na disputa acirrada em que se transformou esta histórica eleição.

Por Terezinha Vicente, de Caracas-Venezuela

Sandra Oblitas, vice-presidente do CNE (Conselho Nacional de Educação) acaba de dar entrevista coletiva, para fazer um balanço das eleições até agora e responder alguns questionamentos levantados pelos jornalistas.

Para ela, “são pontuais os problemas, não mancharão esta jornada eleitoral histórica que está sendo maravilhosa, tranquila”. Realmente, é impressionante. Desde as primeiras horas da manhã, em qualquer lugar que se ande hoje por Caracas se vê muita gente e uma longa fila em algum lugar. Às vezes mais de uma fila, pois vimos avenidas com dois centros de votação um frente ao outro.

Orgulho de ter votado
Pela manhã, nos primeiros centros em que estivemos, ressaltava a quantidade de idosos,
pessoas com deficiência e mães e pais com as suas crianças; mesmo esses eleitores podendo entrar sem ficar na fila, havia necessidade de fazê-la.  Em dois locais de votação, a lentidão na fila de identificação era grande, gerando reclamações e até um protesto coletivo, aos gritos de “Queremos votar! Queremos votar!” presenciei num centro no bairro de San Juan. Oblitas respondeu agora aos jornalistas que isto, assim como máquinas que apresentaram defeito e tiveram que ser substituídas, ou seus eleitores realocados, foram pontuais. Pode ser coincidência, mas só vimos isso acontecer nos bairros de classe média, o que pareceu mesmo estar acontecendo de propósito, como outros acusaram, impossível para nós saber.

Disputa acirrada

Perguntei a alguns eleitores porque se dispunham a ficar por 3 ou 4 horas na fila, precisando madrugar, se a votação iria até às 18h, e se não era irracional virem todos no mesmo período. Todos, sem exceção, explicam que isso se passa devido a ânsia por votar logo e sobretudo para não correrem o risco de não registrarem seu voto.  A disputa está acirrada, ainda que a maioria – quando se pergunta – respondem que o voto é secreto e recusam-se a revela-lo. Mas, visivelmente, aqui em Caracas as preferências estão divididas e seria muito arriscado antecipar qualquer resultado desta histórica eleição, acompanhada aqui por muitos observadores estrangeiros e seguida no mundo todo.

A disputa aparece muito além do voto.  Uma jornalista perguntou para a responsável do CNE,  agora na coletiva, sobre a possibilidade de votar-se novamente, caso de quem tenha votado nulo, pois se espalhou – ouvimos isso numa das escolas, de parte de uma militante da oposição – que os votos nulos seriam apropriados pela situação. Um absurdo, como outros que se ouve nas ruas, semelhantes aos que ouvimos no Brasil – o presidente Chavez agora é milionário, ele está dando dinheiro para as pessoas tornarem-se vagabundas, para as mulheres terem filhos sem parar, etc...  Junto com estas opiniões, ouvimos também as tradicionais declarações de amor à Chavez, a defesa de seus programas sociais, o agradecimento a oportunidades de emprego, estudo, etc...

Criticando a generalização de falsos boatos como esse, Sandra Oblitas remete-se à clara legislação existente e ironiza “que razão pode existir para que alguém acredite ser possível reabrir a urna para alguém votar mais de uma vez!”  Outro questionamento feito na entrevista foi sobre caravanas motorizadas, com camisetas vermelhas, que estariam passando pelos centros de votação.  Eu vi essa caravana, passavam, sem nada falar, não traziam bandeira ou faixa alguma. Oblitas disse que já recebera essa denúncia, também pontual, e esclareceu que há mais de 200 metros dos centros de votação não caracteriza nenhuma ilegalidade. Os jornalistas não se lembraram de reclamar do assédio caprilista pelos celulares e pelo Facebook, que não parou nenhum dia, nem nas últimas horas com a proibição de qualquer campanha. Hoje, antes de tomar café bem cedo, até nós estrangeiros recebemos  no meu celular uma mensagem do candidato anti Chávez.
"Antes de ir-me deste planeta, quisera ver a Venezuela florescer como antes... nos 50, 60, 80, até 90" Sofia Guadarrama, em San Juan
"A grande maioria está com Chávez porque lhe deu educação, sobretudo. Um país sem educação não tem consciência de nada, o voto é a maneira de defender a revolução" Sara Ribas, na Comunidade Vega