terça-feira, 2 de outubro de 2012

Comércio entre Brasil e Venezuela avança e já movimenta 7 bilhões de dólares

A Venezuela está entre os três países responsáveis pelo superávit da balança comercial do Brasil, mas muito pouco se divulga na mídia brasileira sobre as importantes relações comerciais entre estes dois países.

Por Renata Mielli, de Caracas

O economista Pedro Barros, coordenador do escritório do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas – IPEA na Venezuela, recebeu a equipe do ComunicaSul em Caracas e fez um breve resgate histórico dos principais momentos da relação bilateral entre Brasil e Venezuela, dando destaque para os principais projetos envolvendo os dois países atualmente.

“As relações comerciais entre Brasil e Venezuela eram de baixa intensidade. A primeira vez que houve uma iniciativa de relações diplomáticas entre os dois países foi em 1859, feita por D. Pedro II para estabelecer uma conexão entre o Norte e o Sul do continente”, explicou Pedro. “Só em 1973, mais de cem anos depois, houve um novo contato. Naquele momento, o Brasil buscava a Venezuela para comprar Petróleo.

Da esquerda para a direita Leonardo Severo, Vanessa Silva, Renata Mielli,
Márcio Schenatto, Pedro Barros, Caio Teixeira e Daniel Cassol.
O terceiro momento importante e que marca um novo patamar nas relações Brasil-Venezuela ocorreu em 1994, quando Itamar Franco e o então presidente venezuelano Rafael Caldeira assinaram um protocolo que definiu as diretrizes para as relações bilaterais entre os dois países.

Essa relação, segundo o coordenador do IPEA na Venezuela, se aprofundou e ganhou mais dinamismo a partir de 2003. “Em 2003 o comércio bilateral entre Brasil e Venezuela movimentou 880 milhões de dólares. Em 2012, devemos ultrapassar a cifra dos 7 bilhões de dólares. Sendo que o Brasil exporta mais do que importa. Em 2011, o Brasil exportou 4,7 bilhões de dólares para a Venezuela e importou em torno de 1,2 bilhões, o que coloca a Venezuela entre os três países responsáveis pelo saldo positivo da balança comercial brasileira”.

Principais projetos do Brasil na Venezuela

Pedro Barros listou os principais projetos públicos e privados que o Brasil possui atualmente em andamento na Venezuela. Destacam-se, entre eles, convênios com empreiteiras brasileiras para a construção de obras de infraestrutura no país. A Odebrecht está à frente da construção do metrô de Caracas e da construção de duas importantes pontes sobre o principal rio venezuelano – o Orinoco. A Andrade e Gutierrez, em parceria com o BNDES, está responsável pela construção de um dos maiores estaleiros do país, e pela Siderurgica Nacional. A Camargo Correia participa de um importante projeto de saneamento básico no país, no vale do rio Tuií.

O Brasil também conta com projetos desenvolvidos pela Embrapa e pela Caixa Econômica Federal na Venezuela. "A Caixa teve papel destacado na elaboração de um dos principais projetos sociais do governo venezuelano – o Gran Vivenda – um projeto habitacional para construção de moradias para as camadas sociais mais desfavorecidas", destacou Pedro Barros.

Estes projetos mostram a importância econômica para o Brasil no aprofundamento da integração latino-americana e, de outro lado, como o Brasil pode contribuir para o desenvolvimento regional em obras de interesse industrial e social.

A energia da Venezuela

Por outro lado, ressaltou Pedro Barros, a Venezuela tem tido um papel estratégico para o desenvolvimento do norte do Brasil. Vem do país vizinho a maior parte da energia elétrica para esta região, e também infraestrutura de cabeamento de fibra ótica para garantir a conexão dos estados do Norte brasileiro com a Internet.

A Venezuela também tem sido importante importadora de alimentos brasileiros. Atualmente, 74% dos alimentos que a Venezuela importa são provenientes dos países do Mercosul. Antes do governo de Hugo Chávez a maior parte dos alimentos venezuelanos vinha dos Estados Unidos.

Integração impulsiona o desenvolvimento soberano

Essa força regional proveniente da integração econômica dos países da América Latina, que diversificaram suas carteiras de importação/exportação é um dos motivos para que a crise econômica que assola os países europeus tenha tido um impacto menos avassalador nesta região.

Os vários acordos comerciais firmados entre os países da região também têm contribuído de forma determinante com uma postura mais soberana destas nações frente à negociações comerciais com organismos internacionais, como a Organização Mundial do Comércio.

O debate da integração nas eleições

A questão da integração da América Latina tem ocupado um lugar de destaque no debate eleitoral entre os candidatos à presidência da Venezuela. Para o presidente Hugo Chávez, a integração é um aspecto central do seu projeto político para o avanço da revolução bolivariana e precisa ser aprofundada. A Alba – Aliança Bolivariana das Américas, a Unasul – União de Nações Sul-Americanas, a Comunidade dos Estados Latino Americanos e Caribenhos – Celac foram todas iniciativas que contaram com o protagonismo da Venezuela em suas constituições.

Já o candidato da oposição, Henrique Capriles, acusa Chávez de “dar presentes” a países vizinhos ao invés de olhar para o seu próprio povo. De perder muito tempo preocupando-se com os outros e pouco tempo de dedicação à Venezuela.