sexta-feira, 6 de julho de 2018

Paraguai: Vítimas de Curuguaty comemoram “Barraca da Resistência” exigindo anulação do juízo-farsa



Prefeito de Assunção, Mário Ferreiro levou seu apoio solidário, ao lado de lideranças políticas, religiosas e intelectuais

Leonardo Wexell Severo

Manifestantes solidários aos camponeses presos políticos de Marina Kue, em Curuguaty, no Paraguai, colocaram uma placa em frente ao Tribunal de Sentenças de Assunção, na última quarta-feira (4), demarcando os dois anos em que foi erguida no local a “Barraca da Resistência” exigindo a anulação do julgamento-farsa e a sua libertação.
Com o apoio do prefeito da capital, Mário Ferreiro, foi cimentada uma placa com os dizeres: “Aqui resistimos as mães e familiares dos mártires e condenados de Marina Kue, exigindo Justiça, Terra e Liberdade”.

sábado, 16 de junho de 2018

Paraguaios exigem justiça e reforma agrária nos 6 anos do massacre de Curuguaty

Ato realizado ao lado da rodovia que dá acesso ao acampamento de Curuguaty

Leonardo e Monica Severo


“Justiça, terra e liberdade” exclamava a enorme inscrição cuidadosamente desenhada com pedras sobre a grama ao lado da rodovia que dá acesso ao acampamento de Marina Kue, em Curuguaty. Ao fundo, uma gigantesca bandeira do Paraguai vitaminava o espírito de combate que unia as centenas de lideranças populares, trabalhadores rurais, religiosos e intelectuais reunidas para denunciar a farsa jurídica.

sábado, 5 de maio de 2018

Conexão paraguaia descoberta pela Lava Jato incrimina “irmão de alma” de Horacio Cartes



  • Em fim de mandato, presidente tem relações íntimas com doleiro procurado por encabeçar sistema ilegal de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e subornos, com transações que alcançam US$ 1,6 bilhão

    Leonardo Wexell Severo                                                                              A Operação Lava Jato descobriu nesta semana novos tentáculos  do mega sistema de corrupção que envolve diferentes governos - no Brasil e no exterior - contra a economia popular, e colocou atrás das grades expressivos assaltantes do erário, incluindo vários ex-presidentes latino-americanos.
    A bola da vez é o vizinho Paraguai, com a emissão, quinta-feira, do “alerta vermelho para a captura internacional” do doleiro Dario Messer. “O maior doleiro do Brasil” é considerado “irmão de alma” por Horacio Cartes, o contrabandista que ocupou a presidência do país vizinho e encontra-se em fim de mandato. 
    Brasileiro de origem israelense e com cidadania paraguaia, Messer é acusado de encabeçar um sistema ilegal de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e subornos chamado “Bank Drop”, composto por 3.000 empresas que desfrutam de todo tipo de vantagens fiscais em 52 países e que realizou transações que alcançam US$ 1,6 bilhão.
    Conforme delação de seis cambistas presos - Renato Chebar, Marcelo Chebar, Vinícius Vieira Barreto Claret (Juca Bala), Claudio Fernando Barbosa (Tony ou Peter), Luiz Fernando de Souza e Carlos José Alves Rigaud – que testemunharam os crimes buscando a redução da pena -, havia uma relação muito próxima do criminoso com diferentes estruturas de poder. Para comprovar a denúncia, eles entregaram à Justiça brasileira uma montanha de documentos com nomes, lugares, bancos, registros, extratos bancários, sistemas contábeis e até prova das comunicações realizadas. De acordo com os delinquentes, o super doleiro ficava com 60% dos benefícios das “operações” de câmbio, pois era ele quem – através das benesses obtidas com chancela estatal - aportava os volumosos recursos e dava lastro às imensas operações.
    É sabido que Messer e Cartes sempre foram como dois lados de uma mesma moeda, e que quando o então presidente falava a empresários para “usarem e abusarem do Paraguai como de uma mulher fácil”, estava apenas comunicando em alto e bom som quais eram suas repugnantes práticas.
    Na década de 80, no final do período ditatorial de Alfredo Stroessner (1954-1989), Messer abriu uma conta no banco HSBC e, ato contínuo, Cartes abriu duas contas no mesmo banco. Tal acontecimento ficou marcado, pois ocorreu somente sete dias após Cartes ter criado seu próprio centro oficial de lavagem, a Cambios Amambay - o que ocorreu dois meses antes de ser detido por evasão de divisas.
    Eram tempos em que se matava, sequestrava, torturava e exilava, mas que os empresários amigos do ditador faziam a festa com dólares preferenciais do Banco Central do Paraguai (BCP) para, supostamente, investir na produção agrícola, capital com que montavam empresas de fachada para roubar o dinheiro público. A sangria permanece, não é à toa que familiares de Cartes e Messer são sócios em pelo menos cinco empresas.
    Esta intimidade explica porque ao mesmo tempo em que a Lava Jato fecha o cerco sobre o “pai dos doleiros”, no Paraguai o “irmão” de Cartes conta com toda sorte de incentivos governamentais. No mês passado, o mais importante jornal do país, o ABC Color, publicou a descoberta de 19 contas vinculadas a Messer na sede do HSBC da Suíça. Além destas, informou o procurador brasileiro Stanley Valeriano da Silva, “havia muitas contas nos Estados Unidos e em outros paraísos fiscais”.
    A operação da última quinta-feira teve como base a confissão de "Juca Bala" e de “Tony”, acusados de trabalhar para o seleto grupo delitivo comandado por Sérgio Cabral. Considerados “os cambistas dos cambistas”, os dois foram presos no Uruguai no ano passado.
    Residente em Cidade del Este, município que faz fronteira com Foz do Iguaçu, Messer é acusado de ter lavado US$ 100 milhões para o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que está preso. Conforme o procurador brasileiro, a Odebrecht é uma das empresas envolvidas: “Messer operava para as duas partes, recebia da Odebrecht para pagar a Cabral e recebia de Cabral para enviar os recursos em dólares ao exterior e ocultá-los da Justiça brasileira”.
    Numa entrevista em 2010, foi Cartes quem revelou a intimidade da relação com Messer, a quem tratava como “irmão de alma”. Recentemente, o doleiro chegou a integrar uma comitiva oficial do governo paraguaio a Israel.
    Em 2016, durante pronunciamento em Buenos Aires, Cartes recordou a intimidade do relacionamento com Messer e sua família, citando a influência do pai do “irmão”, o falecido Mordko Messer, que o socorreu quando trabalhava com dólares na fronteira. "Em um momento muito especial da minha vida, tempo de grandes dificuldades, Deus pôs no meu caminho a uma família, a uma grande pessoa, que me acolheu em seu coração e sentimento, me fez sentir parte de sua família, me ajudou e me ensinou coisas fundamentais que me serviram e me servem na vida e que ganhou meu eterno carinho filial, minha gratidão e minha admiração. Sua recordação enche meu coração e minha mente neste ato. Me emociona e me honra mencionar o nome querido de  dom Mordko Messer, segundo pai, que Deus o tenha em sua Santa Glória”, ressaltou.
    A profundidade e a força destas raízes – que continuam sendo muito bem regadas com dinheiro público – explica o medo pânico do governo Cartes diante do avanço da Lava Jato, avaliam os movimentos sociais paraguaios. Isso fez com que a Promotoria e a Justiça do país jamais tenham solicitado participar, sequer por um momento, da mais do que indispensável investigação. E faz com que uma eventual “colaboração” das estruturas de poder do Paraguai seja altamente questionável, vide o caso Curuguaty em que o poder judiciário atuou e continua atuando abertamente em favor  da cleptocracia, transformando as vítimas em culpados.


quarta-feira, 4 de abril de 2018

Livro Curuguaty - O combate paraguaio por Terra, Justiça e Liberdade será lançado dia 27 em São Paulo


O jornalista Leonardo Wexell Severo lança no próximo dia 27 de abril, sexta-feira, a partir das 18h30, na livraria Martins Fontes da avenida Paulista, o seu mais recente livro: “Curuguaty – O combate paraguaio por Terra, Justiça e Liberdade” (Editora Papiro, 100 páginas, R$ 20). 
Nesta entrevista, o autor faz uma análise da campanha internacional pela libertação dos camponeses de Curuguaty, condenados a até 35 anos de prisão por crimes que não cometeram, e do papel da solidariedade, que não considera somente “a mais bela das palavras” como “a única ação capaz de pressionar o governo e fazer com que se faça justiça no país vizinho”. 
“As penas por ‘homicídio doloso’, ‘associação criminosa’ e ‘invasão de imóvel alheio’ a que foram submetidos estampam como o massacre de Curuguaty serve tão somente para criminalizar a luta pela reforma agrária na nação guarani. Afinal, nem um único dos 324 policiais foi colocado no banco dos réus. Apenas as vítimas da ilegal ação de despejo”, sustenta.
A livraria Martins Fontes fica na avenida Paulista, 509, ao lado da estação de Metrô Brigadeiro.


domingo, 1 de abril de 2018

Livro “Palestina, um olhar além da Ocupação” será lançado nesta terça em São Paulo


Evento acontece a partir das 19 horas na Mesquita Brasil

Será lançado nesta terça-feira, às 19 horas, na Mesquita Brasil, em São Paulo, o livro “Palestina, um olhar além da Ocupação”, um vibrante e comovente relato da viagem de três autoridades brasileiras em missão oficial aos territórios ocupados por Israel.
Conforme o vice-prefeito de Foz do Iguaçu-PR, Nilton Bobato, um dos autores do livro, “repetir somente a história dos já conhecidos dramas políticos, pessoais e todas as atrocidades a que são submetidos a Palestina e seu povo pelo governo sionista de Israel, não era o objetivo, nem da viagem, nem do livro”. “Queríamos também falar da gente palestina, do seu dia a dia, do que vimos além da ocupação e com isso possibilitar a visão de que na Palestina tem pessoas que vivem, lutam, que são solidárias, que estudam, trabalham e organizam suas vidas para conviver e lutar contra esta atrocidade que se prolonga por impensáveis 70 anos”, ressaltou.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Carta de presos de Curuguaty pedindo liberdade é entregue à Corte Suprema de Justiça do Paraguai

Para ser publicada, a carta dos camponeses foi bancada pela solidariedade
Camponeses estão condenados a até 35 anos de prisão por um crime que não cometeram


Uma carta dos camponeses presos políticos de Curuguaty em defesa da sua libertação foi entregue à Corte Suprema de Justiça do Paraguai, em Assunção, por familiares e integrantes do movimento de solidariedade. Condenados a até 35 anos de prisão, Rubén Villalba, Luis Olmedo, Néstor Castro e Arnaldo Quintana, encontram-se na penitenciária de Tacumbú, de onde escreveram o comunicado.

“Nos dirigimos a vocês com o objetivo de expressar-lhes nosso sentimento desde este lugar ao que nos trouxe nossos desejos de um pedaço de terra para cultivar e sustentar-nos como pequenos produtores rurais sem-terra. O massacre que o Estado paraguaio provocou no dia 15 de junho de 2012 é uma injustiça que, há mais de cinco anos de estar privados de liberdade, não matou nosso desejo de alcançar um pedaço de terra para alimentar a nossa família”, afirmam os camponeses.